quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Manifesto

O GOSPEL ROCK NACIONAL MORREU

Morreu sim. Nascido e crescido nos inspiradores anos 80, o movimento do pop e do rock gospel brasileiro não conseguiu cumprir a nobre tarefa de ultrapassar as paredes da igreja e comunicar-se com o público não cristão. Até teve alguns bons momentos, mas não manteve-se. Numa atitude contrária, a música evangélica brasileira voltou a fazer música para si mesma e, além de afundar-se numa falsa espiritualidade, tenta camuflar a baixa qualidade pela crescente produção. Nisso, voltamos a ser caretas, crentes chatos, monótonos e cansados. Depois de 20 anos de prodígios, a membresia eclesiástica alegra-se com o brega gospel.

Comparado à estilosas bandas e ministérios de todo tipo que nascem a todo instante, o som de um Katsbarnea, Rebanhão, Fruto Sagrado ou Brother Simion, que hoje parece ser careta e mais ruído do que música, poderia ter sua deficiência técnica, mas era criativo, inovador e tinha uma mensagem evangelística muito forte. Era uma música “voltada para fora”, ousada, arriscada. Hoje, bandas como Fruto Sagrado e Resgate e ministérios como o Filhos do Homem perderam o fôlego que tinham no começo da trajetória. O Oficina G3 é talvez o único que luta com mais força por uma permanência. Produz frequentemente, mas não é o mesmo Oficina de antes. A cada novo álbum, não reencontra mais o próprio estilo, se perde, se dilui, mas resiste. Os grupos que não morreram, saíram de cena, foram amputados das gravadoras, dos shows e das igrejas. Enquanto isso, pipoca nesses mesmos shows, gravadoras, igrejas e festivais uma “música “ que se assume ser de “louvor e adoração”. É muita generosidade chamar de música, já que geralmente os arranjos não vão além das escalas-padrão das notas, e muito menos adoração, pois incitam mais ao melodrama religioso e à sensibilidade do público do que promovem à edificação espiritual. Valoriza-se a emoção, o aqui e agora, o volume, o “agito” em si. Consistência, responsabilidade: nada. A música ritmada, bem construída, com uma mensagem a passar foi substituída por vãs repetições, por um simples “som agitado” agradável à maioria e que vende bem. Se depender de mim, essa música à granel vai ficar falando sozinha.

A partir dos anos 2000, o meio evangélico passou a viver de ondas. A cada verão tem um “hit” novo, o artista da vez. A “febre” dos ministérios parece já ter passado. Muitos nasceram e morreram na última década. A bola da vez são os cantores solos. Impulsionados por seus respectivos redutos religiosos, tentam alçar-se ao grande público evangélico. A gravadora é grande, o encarte bonitinho, o cantor posa de galã e a cantora posa de celebridade. O conteúdo, porém, é descartável. Muitas composições perdem até para os antigos cânticos congregacionais ao melhor estilo Harpa Cristã.

A era das bandas já era. O pop-rock dos anos 80 não foi uma onda, foi um movimento. Mas sucumbiu à mediocridade da igreja pós-moderna. O rock foi pro ralo, a igreja olha apenas para o próprio umbigo e, apesar do crescimento em números, ela é um gigante adormecido no sono da apatia. Os bons caras envelheceram e a nova safra não é nada proveitosa. Bem, num mundo em que até a MTV aplaude de pé coisas do tipo “NX Zero”, é porque o cenário não está bom mesmo. Nem pra Deus, nem pro diabo. Para ser gospel de verdade, ouvir e adorar a Deus com um bom rock’n roll, só procurando alguma garagem perdida por aí. Ou desenterrando alguns dinossauros na gaveta ou na internet.

Podem me chamar de maluco.
Podem me chamar de pirado.
Podem me chamar de desequilibrado.
Mas eu estou é indignado.

Tudo isso porque eu estava lendo sobre as origens da Igreja do Evangelho Quadrangular, que tinha no começo uma marca forte no evangelismo e no louvor. E mais por ter lido também hoje uma matéria que saiu na revista Rolling Stone. O texto da reportagem pode ser lido no site http://www.dotgospel.com/.


OFICINA G3:
Neste último CD, o experimentalismo procura resistir à massificação.







Mariana Valadão:
Mais um com a "grife" Valadão. O título do CD é próprio nome da cantora.
Ela mesma também estampa a capa com um belo sorriso.
Mais auto-promocional e cafona impossível.



Davi Sacer:
Rebelde dos ministérios Toque no Altar e Trazendo a Arca, tenta a carreira solo.
Vai que dá certo!




Third Day:
Uma referência que vem de fora.
Fotinho na capa é coisa de dupla sertaneja.







E tenho dito.

5 comentários:

Marcio disse...

Aiaiaiai....filhos de Deus....
N sei se essa galera sem criatividade para evangelizar esta se escondendo atrás de grandes desculpas...E olha que hoje em dia e muito fácil vc andar pelas ruas e ouvir sai nas janelas escancaradas grandes alturas de volumes de sons de Rock....
Vamos a alguns p0ontos aqui..
1.Será q Deus esta na direção de tudo?Se bem q esta palavra parece q virou modinha neh?..
2.Quem disse que evangelizar seria facim facim?..N se esqueça..ha uma batalha sendo travada...
3.Porque criticar ou ''o Louvor e adoração''?....Os anjos cantam 24 horas Santo Santo Santo e o Senhor Dos Exercito.....Vão falar que é careta tbm?...Ta fora da moda....Quem sabe se colocar um ritminho de Distorção ?..oO

4...Vou dormir que já esta ficando chato.....Sem vontade de escrever...kkkkkkk

Bem galera ...É isso..N sei se me expressei-me eu mesma bem..kkkkkkk....Um pouco de exagero de pronomes para os amantes da língua portuguesa de plantão..

Deus age em cada lugar de uma forca....Esqueci onde ta escrito isto...







PAZ

[jb] disse...

1. O rock q sai pelas janelas? Não escuto. Talvez porque moro em outra rua.

2. Não critico o louvor e adoração, mas a música feita hoje com o rótulo de "Louvor e Adoração" que na real não é nenhuma coisa nem outra. Virou apenas um fundo musical para o sentimentalismo. Isso é mais q careta, é corromper os propósitos de Deus a favor do egoísmo e dos interesses comerciais.

3. O significado de IGREJA é "um grupo chamado para fora". A mensagem do Evangelho hoje é somente pregar o bem estar de seus próprios membros. Igreja virou "um grupo chamado para dentro". Não faz o menor sentido!

4. E tem gente que chama isso de avivamento. Bah, eu chamo de outra coisa.

Marcio disse...

Cara acho q naum vou mais participar de debates..na na ni na naum...
Sai pelas janelas,eh que antigamente era mais dificil vc ouvir este tipo de som ,sem que ngm falasse issoo ou aquilo...Intao hj eh mais facil vc evangelizar ou seja lah o que for ,com o Rockii...oO
..Tbm n concordo com o item 2 ...
Mas ehfim...Rotulo?oO...

Essa papo ta muito tecnico...

Avivamento claro q n eh isso...Nuncaaaa....Eh muito mais alem...muitoooo...

Enfim...
Jah chateou issoo....


Soh sei dizer que o que a gente faz ainda naum eh nada daquilo que o Pai quer ...

Oremos pra que cresca em nois a coragem e outros adjetivos para o crescimento da obra de Deus...
Louvo a Ele pelos coracoes apaixonados por Deus ,que estao se despertando atraves dessas musicas rotuladas...oO..
Tdo tem q se fazer estrategico para o Reino..

Juva Jr. disse...

Chiiiiiiiiico!

Que que eu vô dizê lá em casa...

O Márcio é contra papos "técnicos", o João fez uma leitura interessante a respeito do momento atual da música gospel nacional... E agora...?

Prefiro ficar em cima do muro...

Realmente o Gospel Rock vem mal das pernas nos últimos anos. Por que?
Eu não sei exatamente. Mas creio que quando esse movimento do Rock surgiu e se consolidou (décadas de 80 e 90), realmente havia o que se confrontar nas igrejas, havia tradicionalismo, religiosidade, a igreja estava fechada para esse tipo de manifestação de certa forma desordenada, com letras que nem sempre falam diretamente de Deus e um som que deixava - e ainda deixa - os mais velhos de cabelos em pé...

Com o passar dos anos a aceitação ao Rock passou a ser maior, porque realmente entendeu-se a sua importância dentro da igreja como ferramenta de evangelismo entre os jovens.

Entretanto, depois do início da década de 2000, quando podemos dizer que o Rock não encontrou mais nenhuma barreira nas igrejas, quantas bandas "boas" de Rock Gospel nasceram?

"Sion"? Talvez. "Judas, o outro"? Não sei.

É mais fácil citar as que terminaram, passam por maus bocados ou ainda as que tiveram de se reestruturar para não acabar...

"Metal Nobre", "Fruto Sagrado", "Katsbarnea", até o próprio G3 foi pra oficina depois da saída do aproveitador PG...kkkk

Não há mais o que se confrontar nas igrejas de hoje. É muito mais fácil para um músico viver a vida tocando músicas de letras cômodas e comerciais, do que realemente dar a cara ao provável tapa.

Não sei sefui claro, não sei se fui lógico no meu raciocínio, muito menos sei se posso concluir alguma coisa das minhas palavras...

Esperemos para ver para qual direção Deus deixará a música Gospel caminhar...

Ah, sobre a capinha com foto...

Quem tiver tempo dá uma olhadinha na capa do álbum Wherever You Are, do Third Day, de 2005. Tem fotinho de quinteto sertanejo... Só pra pegar no pé do João.

Graça e Paz. Viva o Palestra!

[jb] disse...

PG = Paradoxo Gospel

PG é traidor. Parece que cada época tem o “Judas” que merece. “Aproveitador”, como falou o Juva aí.
Não questiono a qualidade dele como cantor. Ele tem técnica e carisma. Tem um estilo irreverente e é preocupado com a qualidade musical. O problema é que ele pisou na bola no campo ético, quando saiu do Oficina, e deixou o grupo a ver navios.

O fato:
Foi uma decisão instantânea, sem planejamento. Prejudicou a banda. PG falou que iria deixar o G3 e iria se dedicar ao ministério de pastor, pois tinha um chamado de Deus para ser pastor. Podem conferir em http://www.lagoinha.com/engine.php?pag=art&sec=16&cat=178&art=4035 . O que aconteceu? Logo depois de deixar a banda já tinha anúncio de lançamento de seu CD solo. Ou seja, ele usou o Oficina como plataforma de lançamento de sua carreira solo. Foi uma atitude irresponsável. Dizia que não dava para conciliar a agenda da banda com o trabalho de pastor, mas agora ele não reclama se não pode conciliar a agenda de cantor com a de pastor. Poderia ser sincero e dizer: “Tô saindo do Oficina para fazer meu nome!”, e não ficar de hipocrisia com este papo de “tenho um chamado”.

E pra quem acha que a saída dele da banda foi na boa, engana-se. O pessoal ficou chocado, levou um baque. Confira nesta entrevista: http://www.dotgospel.com/noticias_g3-mania-faz-entrevista-com-oficina-g3_1335.html .

Tem gente que acha que está tudo bem, outro que não tem nada pra contestar. Claro, não dá mais para contestar o sistema, porque o sistema não existe mais como antes.
Mas poderíamos começar pelo combate à hipocrisia do tipo PG.

[jb]