sábado, 7 de agosto de 2010

Reinvenções da fé: a nova reforma protestante


Blogueiros que organizam a Marcha pela ética, um movimento de protesto incrustado dentro da Marcha para Jesus, promovida pela Renascer


Há uma revolução acontecendo. Silenciosa? Nem tanto. Uma revolução que a igreja evangélica tradicional, com seus líderes preocupados com hierarquias, liturgias, cargos e salários, não está dando conta. Grupos religiosos estão construindo uma espécie de Nova Reforma Protestante, agora não mais liderada por uma personalidade como Martinho Lutero, mas feita por anônimos, pessoas comuns, sem títulos, que querem apenas cultivar o cristianismo ao modo da igreja primitiva, sem a institucionalização da igreja, hoje imersa em corrupções e desvios de todo o tipo.

O tema é absolutamente atual e estampa a capa da revista Época desta semana. A matéria retrata o panorama da cena evangélica atual no Brasil, capitaneada pela formação de comunidades informais, pequenos grupos de oração e estudos, uso da internet e abordagens que passam pela música alternativa e pela valorização dos relacionamentos. Confira abaixo o primeiro trecho da reportagem. Leia a matéria completa neste link (via Pavablog).

A NOVA REFORMA PROTESTANTE

Irani Rosique não é apóstolo, bispo, presbítero nem pastor. É apenas um cirurgião geral de 49 anos em Ariquemes, cidade de 80 mil habitantes do interior de Rondônia. No alpendre da casa de uma amiga professora, ele se prepara para falar. Cercado por conhecidos, vizinhos e parentes da anfitriã, por 15 minutos Rosique conversa sobre o salmo primeiro (“Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios”). Depois, o grupo de umas 15 pessoas ora pela última vez – como já havia orado e cantado por cerca de meia hora antes – e então parte para o tradicional chá com bolachas, regado a conversa animada e íntima.

Desde que se converteu ao cristianismo evangélico, durante uma aula de inglês em Goiânia em 1969, Rosique pratica sua fé assim, em pequenos grupos de oração, comunhão e estudo da Bíblia. Com o passar do tempo, esses grupos cresceram e se multiplicaram. Hoje, são 262 espalhados por Ariquemes, reunindo cerca de 2.500 pessoas, organizadas por 11 “supervisores”, Rosique entre eles. São professores, médicos, enfermeiros, pecuaristas, nutricionistas, com uma única característica comum: são crentes mais experientes.

Apesar de jamais ter participado de uma igreja nos moldes tradicionais, Rosique é hoje uma referência entre líderes religiosos de todo o Brasil, mesmo os mais tradicionais. Recebe convites para falar sobre sua visão descomplicada de comunidade cristã, vindos de igrejas que há 20 anos não lhe responderiam um telefonema. Ele pode ser visto como um “símbolo” do período de transição que a igreja evangélica brasileira atravessa. Um tempo em que ritos, doutrinas, tradições, dogmas, jargões e hierarquias estão sob profundo processo de revisão, apontando para uma relação com o Divino muito diferente daquela divulgada nos horários pagos da TV.

Estima-se que haja cerca de 46 milhões de evangélicos no Brasil. Seu crescimento foi seis vezes maior do que a população total desde 1960, quando havia menos de 3 milhões de fiéis espalhados principalmente entre as igrejas conhecidas como históricas (batistas, luteranos, presbiterianos e metodistas). Na década de 1960, a hegemonia passou para as mãos dos pentecostais, que davam ênfase em curas e milagres nos cultos de igrejas como Assembleia de Deus, Congregação Cristã no Brasil e O Brasil Para Cristo. A grande explosão numérica evangélica deu-se na década de 1980, com o surgimento das denominações neopentecostais, como a Igreja Universal do Reino de Deus e a Renascer. Elas tiraram do pentecostalismo a rigidez de costumes e a ele adicionaram a “teologia da prosperidade”. Há quem aposte que até 2020 metade dos brasileiros professará à fé evangélica.

(Clique na imagem para ampliar)

2 comentários:

Willian Rochadel disse...

Alelu~ia!
Belíssima reportagem da Época e muito bem comentada por aí. Acho que um despertar pelo menos valerá apena.

Barbara Lopes disse...

Adorei o texto, e a foto que vocês postaram, ja diz tudo..
Concordo plenamente com tudo que disse, é muita relegião e pouco Deus..
A prrpria palavra diz: Tudo isso é vaidade..
Lamentavel né, em vez de sermos diferentes, somos iguais e piór ..
Generalizei...
Mas é isso ai

Abraço, fica com Jesus ..