segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Música Gospel, Louvor e Adoração

Nas duas últimas sextas-feiras, dias 28/08 e 03/09, o programa Fórmula 3:16, da rádio 107,5 FM, abriu espaço para a discussão da música gospel contemporânea. Questões envolvendo a qualidade das produções, a crise de conteúdo, a mercantilização do louvor, os conceitos de música e arte, as diferenças entre louvor e adoração, entre outras, foram o foco dos comentários. Junto com a equipe do programa, formada por Rodrigo “Bibo” de Aquino, Alexandre “Alenu” e Rodrigo “Anexo” Severiano, o compositor e professor de música Milsinho e este blogueiro que vos escreve (JB) estiveram presente como convidados para debater o tema. Você pode ouvir e baixar os arquivos de áudio nos links abaixo:

Programa 28/08/2010:
Baixe aqui:
http://www.4shared.com/audio/M_LMOJI0/formula_04_09_2010.html


O Fórmula 3:16 vai ao ar todas as sextas-feiras, das 23h às 00h, pela rádio 107,5 FM. Voltado para o público jovem, o programa traz temas relevantes para discussão, sempre acompanhado por boas músicas e muito bom humor. Acompanhe o site do programa em http://www.formulados.com.br/. Vale o clique!

Abaixo segue um texto com alguns conceitos tratados na discussão, especialmente na do último programa.

Louvor x Adoração

Embora seja comum os termos louvor e adoração aparecem juntos, como se fossem nome e sobrenome, é preciso entender que cada qual expressa significados diferentes, mesmo que, às vezes, sejam complementares.

Louvar tem o significado de “elogiar, aplaudir, apoiar, homenagear”. Vale para pessoas, coisas ou deuses. Adorar refere-se a “venerar, prestar culto, reverenciar”. Vale para deuses, divindades.
Biblicamente, a adoração (o “prestar culto”) é somente para Deus. Se o objeto da adoração for direcionado para outra pessoa/coisa, há idolatria. O louvor, por sua vez, pode ser direcionado a pessoas e coisas, como no caso de uma homenagem ou uma declaração de amor.

No Antigo Testamento, o termo comumente usado para adoração é “Shachah” (hebraico), verbo que refere-se ao ato de “prostrar-se, curvar-se”. Outro termo que aparece é “Abhôdhâ”, substantivo para “reverência, admiração, respeito”. No Novo Testamento, o termo grego para “adorar” é “Proskyneo” (pros = até; kuneo=beijar), relacionado ao ato de “beijar a mão” em sinal de reverência, obediência ou rendição.

O louvor, no Antigo Testamento, tem três referentes (todos do hebraico): o termo “Hãlal”, que significa “ruído” (e também radical de onde vem a expressão “Hallellujah”), o termo “Yãdhâ”, para “gestos”, e “Zãmar”, relativo à música tocada e cantada. No Novo Testamento, tem a palavra grega “Eulogein”, no sentido de “bendizer”, mas o termo mais usado é “Eucharistein” (de onde vem “Eucaristia”), relacionado à “gratidão”, ao ato de “agradecer” ou momento de “agradecimento”.

Pelas definições e referências, o louvor está mais ligado a uma questão “operacional” no contexto da comunhão, restrito a ações do corpo e da alma, enquanto adoração seria algo mais amplo, “gerencial”, firmado no espiritual. O louvor é uma manifestação concreta, visível através de gestos, de cantos e de atitudes, do relacionamento de adoração entre o homem e Deus.

Embora seja a mais comum, a música é apenas uma entre muitas expressões de louvor. As manifestações artísticas em geral (música, teatro, literaturas, artes plásticas, cinema, etc) podem se tornar expressões de louvor tanto para Deus como para as pessoas. A música, como as demais artes, são instrumentos/ferramentas/meios que tanto podem ser usados para coisa santas como para profanas. O profano ou santo não está na arte ou na música em si, mas no uso, na intencionalidade, no propósito envolvendo essa arte.

Mesmo que muitas músicas possam louvar a Deus, nem sempre elas estão O adorando, uma vez que o objeto da música ser uma outra pessoa, uma coisa, uma situação. Nesse sentido, em toda adoração dever haver louvor, mas nem todo louvor tem adoração. No contexto da igreja, o altar é o lugar da adoração, incentivada através dos cânticos de louvor a Deus. O objeto de culto deve ser Deus. Se foco for outra coisa, o altar transforma-se em palco, onde um grupo apresenta, divulga ou mostra alguma coisa (música, teatro, dança, etc) ao público, que passa a fazer papel de plateia. A noção de palco determina uma relação horizontal (pessoas para pessoas), enquanto a noção de altar determina uma relação vertical (pessoas para Deus). Só há adoração quando há altar.

No Antigo Testamento, o altar se referia a um lugar determinado para prestar culto e oferecer sacrifícios a Deus. No Novo Testamento, não há mais tabernáculos, templos ou cidades estabelecidas para a adoração. O altar é o próprio corpo/coração do homem. Aonde quer que vá ou esteja, o homem deve ser um ponto de adoração, um altar vivo de louvor a Deus e testemunho ao próximo.
Aspectos que diferenciam as noções de louvor e adoração:

LOUVOR
Característica comunitária, congregacional
Litúrgico
Ligado ao emocional
Agradecimento pelas bênçãos de Deus (ações divinas)
Expressão de vida
Circunstancial
Mais distante, mediada por manifestações artísticas, como a música
Mais barulhento, disperso

ADORAÇÃO
Característica individual, intimista
Espontâneo
Ligada à devoção
Agradecimento pelo que Deus é (essência divina)
Estilo de vida
Incondicional
Mais próximo
Mais silenciosa, focada

[jb]

Um comentário:

Willian Rochadel disse...

Ficou demais estes podcasts, muitos esclarecimentos. Curti demais!